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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Esta semana revi o filme "Ágora" de Alejandro Amenábar. Volta e meia faço-o, pois é daqueles filmes que nos relembram certas coisas que tão convenientemente esquecemos. É certo que não é um filme brilhante, é certo que tem imprecisões históricas, mas a empatia tem destas coisas estranhas e este tornou-se num dos meus filmes preferidos. Porque para mim, a história de uma mulher sozinha contra tudo, apenas com aquilo que acredita nas mãos, será sempre uma boa história. Porque fala de tolerância: de género, raça, religião, condição. E como a ignorância é apenas o principio dessa cegueira, que nos tolda a humanidade. No fim, quando tudo em que ela acredita se desmorona e ela se recusa a ceder, Orestes, o seu protector diz-lhe, desesperado, mas assim Cirilo vencerá. E ela olha-o e responde: Mas ele já ganhou. Porque o silêncio, a conveniência, será sempre o maior aliado da intolerância. E o conhecimento, o nosso farol de Alexandria.
Apontamento: Nesse ano saiu um outro filme, também supostamente sobre intolerância, "Avatar" de James Cameron. Onde a única personagem, também ela uma mulher (interpretada pela Sigourney Weaver), que tenta a ponte entre o melhor dos dois mundos, morre, por não ter lugar em mundo algum. Engraçado que este momento passe tão despercebido, por entre as luzes e ruídos de efeitos especiais fabulosos. Mas também, quem é que repara nestes detalhes, quando há flores que que brilham e voam e assim anunciam improváveis messias?
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