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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Hoje, enquanto fazia o jantar lembrei-me da avó da Patrícia. Lembro-me muitas vezes dela, da forma como ela tirava o pé do sapato e o encostava na perna enquanto mexia as coisas no fogão. Dos bolinhos de coco que eu adorava e da sopa de couve-flor que eu detestava. Dos trava-línguas, das canções, das histórias de quando era rapariga nova. Dela debruçada a apanhar a roupa do estendal enquanto nós brincávamos na marquise. Do quadro, logo à entrada, da menina a ler com um vestido amarelo, mais os de flores bordadas a ponto cruz e o prato de loiça com uma quadra, da fruteira com fruta de plástico a fingir, das palavras que ela dizia mal e das novas que nos ensinou, da bata que vestia por cima da roupa, isto é para trazer por casa, da forma como ela me limpava as lágrimas, és muito chorona, dizia-me ela, e olha, quando a gente chora muito ficamos feias. Chamava-se Dona Carlota.
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