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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Há muitos anos estive na Grécia. Na altura, poucos gregos falavam inglês, só mesmo os miúdos mais novos ou alguns profissionais de turismo. Fora dos grandes centros urbanos, então, isso era para esquecer. Foram dias cómicos a tentar decifrar as placas escritas em alfabeto grego, soletrando as letras que identificávamos da matemática. Isso, juntamente com um manual com frases básicas e o belo do apontar, deu para nos safarmos lindamente. Mas, lentamente, sem darmos por isso, fomo-nos habituando aos sons das palavras, à entoação, até conseguirmos perceber quais as sílabas e fonemas que carregavam maior emoção sempre que alguém se ria, zangava, emocionava. Aprendi mais sobre os gregos e a Grécia nesse exercício de observação do que talvez possa um dia aprender em cem livros. Mas não aprendi a falar grego. Aliás, esses dias “lost in translation” ensinaram-me que dominar uma língua não é saber falá-la, escrevê-la impecavelmente. É muito mais do que isso. Nem sequer é torná-la na nossa primeira, segunda, terceira língua. É sermos dela. E isso só acontece quando essa língua se torna naquela em que sonhamos.
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