De Jorge a 01.10.2017 às 02:36
Eu gosto da pausa na campanha. A pré-campanha já vai longa quando se inicia o período oficial de campanha de 2 semanas. Uma pausa sabe bem. Sem multidões na rua, sem tambores, sem bandeiras, sem megafones, sem propaganda. É o meu dia preferido das eleições, logo a seguir ao próprio dia em que tenho o direito de mudar alguma coisa.
Há duas hipóteses de fazer isto: de um modo light, ou de um modo restritivo. O light seria proibir só a campanha, mas manter a possibilidade de falar dela. O restritivo proíbe ambos, e é o escolhido pela CNE.
E eu concordo. É que se fosse o modo light, as máquinas dos partidos do sistema (acima de tudo o laranja, mas também algum rosa) que todos sabemos que capturaram os Órgãos de Comunicação Social, fariam todos os truques e malabarismos para dar continuidade à propaganda na véspera das eleições, com relatórios que afinal não existem, com novas notícias de suspeitas infundadas sobre candidatos, com espaços de opinião sem contraditório onde alguns têm a pouca vergonha de continuar a participar mesmo sendo candidatos, etc.
A sua opção de voto não influencia ninguém, mas há quem tenha a capacidade de influenciar. E esta pausa é muito bem vinda por evitar isso mesmo em cima do acto eleitoral. Prefiro eleitores com um mínimo de reflexão (neste caso 24 horas), e não decisões em cima do joelho, embora mesmo assim muita gente continue a só fazer a escolha final quando se confronta com o boletim de voto.
Há sempre um distanciamento saudável quando a última ação de campanha que se ouviu ou sobre a qual se leu, já leva mais de 1 dia de distância, e não apenas escassos minutos. Da mesma forma como muitos artistas não fazem obras de seguida, antes pintam algo, tapam, e semanas ou meses depois, com distanciamento, ao destapar, têm um olhar diferente que justifica diferentes decisões. Não é boa, mas é a comparação que arranjei para lhe dar a entender o meu ponto de vista.
Já agora, parabéns pelo blog, que fiquei a conhecer graças ao destaque que o SAPO deu a este post.