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Da política

por Cristina Nobre Soares, em 23.05.18

A política

No princípio dos anos 80, as crianças não tinham direito a grande coisa. Não havia workshops de música clássica para crianças. Não havia canais de desenhos animados 24 horas, sobre 24 horas. Havia uma hora por dia ao fim da tarde e ao fim de semana de manhã. À conta disso papava-se tudo o que passava na televisão, do Vasco Granja à TV Rural e Direito de Antena. Sem contar com os anúncios, dos quais sabíamos os "jingles" de cor. Era uma grande seca. Para além disso os adultos ignoravam-nos bastante, quando não em absoluto, vá, vai lá brincar com os outros meninos, que isto é conversa de crescidos. Eu, como fui muitas vezes a única criança no meio de adultos, nem sempre tinha essa opção. Entretinha-me a ouvi-los. A ouvir, porque nessa altura ninguém queria saber da opinião dos miúdos para nada, e os miúdos que a davam eram considerados “mal-educados” e pespinetas. De maneira que eu entretinha-me a ouvir.

No princípio dos anos 80 os adultos falavam muito de política, exaltavam-se com isso. O estado da nação discutia-se em qualquer sala comum. Aprendi que a política era uma coisa extremamente importante, capaz de fazer zangar famílias inteiras, mas também de juntar amigos para a vida.

Havia expressões que significavam sempre qualquer coisa política, como aquela do “chateia-me ser sequestrado” ou “ o povo é sereno” ou “ olhe que não, olhe que não” que o meu pai dizia muito em tom de troça. E havia nomes que fui fixando. De há uns anos para cá esses nomes têm vindo a morrer. Há uma espécie de orfandade nisso. Mas, curioso, eu tenho quarenta e quatro anos, sempre tive muito "sangue na guelra" no que diz respeito à politica,mas raramente falo de política com a minha filha. Pergunto-me o que terá acontecido durante estes anos.

Há dias em que acho que a minha filha tem mais sorte do que eu. Outros, confesso, acho que a sortuda afinal fui eu.

 
 
 

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1 comentário

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De Anónimo a 23.05.2018 às 18:59

A politica vai tão pouco clara, que pouco já vale falar sobre a mesma !

Interessa é estarmos atentos aos sinais que nos entram todos os dias via média e sermos capazes se discernir os factos e as suas consequências.

A. Gama Vieira

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