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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Da minha embirração pelo Avatar

Cristina Nobre Soares, 25.02.16

No outro dia a minha filha pediu-me para rever o Avatar, o filme do James Cameron (Claro que ela não sabe que foi o James Cameron quem o realizou, isto foi só para dar uma introdução erudita ao texto). É aquele sobre um mundo bonito e azul, mãe. Que os homens querem destruir aquilo por causa do dinheiro, depois de já terem dado cabo da Terra. E realmente, o Avatar resumido é isto. Uma história muito linda sobre o paraíso perdido e a maldade dos homens. Onde os bons são os azuis que tentam defender o seu mundo, feito de luz e equilíbrio, dos maus e corrompidos homens que deixam um rasto de destruição por onde passam. É também sobre um homem que perdeu o rumo e as pernas, e que vende a alma por uma segunda  vida onde pode andar e começar de novo. Esse homem, cínico e desiludido, acaba por se redimir  pelo amor. Afinal o amor, essa invenção humana, redime tudo. Mas depois há uma personagem secundária, uma cientista chamada Grace, interpretada pela Sigourney Weaver que tenta uma coisa quase tão impossível como respirar a atmosfera rica em amoníaco de Pandora: O consenso. O meio termo. O melhor de dois mundos. No principio do filme, Grace ensina as crianças na’vi a ler. E passeia-se por Pandora, fascinada por por aprender mais sobre aquele novo mundo. Pobre Grace que não sabe que conhecimento às vezes é tão irrespirável como o amoníaco. E pronto, morre. Tem de morrer. Os homens maus ferem-na de morte e a árvore mãe não lhe perdoa a humanidade. Não há lugar nem espaço para moderados. São criaturas sem terra que tiram a simplicidade às histórias. Porque só lhes interessam os porquês. Que são uma maçada. Nesse ano saiu outro filme do qual já falei por aqui: Ágora, de Alejandro Amenábar, sobre a filósofa e matemática Hipatia de Alexandria (outra mulher moderada que morre). E enquanto digo à minha filha que sim, que pode alugar o filme, lembro-me de uma frase da Hipátia, falando com o seu aluno Cinésio: “Tu não questionas ou não podes questionar aquilo em que acreditas. Eu tenho de o fazer “ Se calhar é por isto que não tenho paciência para histórias simples.

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