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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Da geometria das histórias

Cristina Nobre Soares, 31.07.16

O meu pai foi dos melhores contadores de histórias que conheci. Até quando contava até à exaustão as mesmas histórias que eu e os meus irmãos crescemos a ouvir. Ao longo da minha vida conheci outros grandes contadores, capazes de me levarem de um ponto ao outro em linha recta, mesmo quando as histórias tinham floreados curvilíneos. Quase todos esses contadores eram homens, que falavam sobre aventuras, viagens e outros horizontes. Já as lengalengas, aprendi-as com mulheres. Os jogos circulares com as palavras. Como se o que a minha mãe e as minhas tias tivessem para contar habitasse um espaço fechado sobre si mesmo. Histórias sobre as várias formas de se fechar um círculo perpétuo. Rematados os detalhes do quotidiano. Quando eu pedia uma história de aventuras à minha mãe, ela respondia, cada um conta as histórias que conhece. E, talvez, com a geometria que o género lhe permita.