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A minha filha diverte-se muito quando eu lhe falo dos loucos anos 80 e 90: das cassetes que se enrolavam com uma BIC, dos telefones de disco, dos Spectrum que se ligavam à televisão, do primeiro email que enviei, dos telemóveis que pesavam uma tonelada e que tinham uma antena cujo tamanho lhes deviam permitir captar vida noutros planetas.
Falo-lhe também de quando libertaram Mandela, quando caiu o muro de Berlim e a cortina de ferro, do fim da ditadura militar no Brasil. O mundo parecia um lugar possível. Era fácil acreditar no progresso. Era fácil ter esperança.
Quando termino estes relatos a minha filha costuma comentar: gostava de um dia ter também histórias destas para contar aos meus filhos. 
E eu, pensando na viragem preocupante que o mundo está a viver, calo-me. Como se diz a um filho que ele não vai ter a mesma sorte do que nós?

 

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11 comentários

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De Anónimo a 08.10.2018 às 12:37

acredito que é só uma fase...a esperança nunca pode morrer... haverá sempre coisas extraordinárias para contar aos filhos...
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De Joana Marques a 08.10.2018 às 14:14

Pode ter mais sorte, até....
...ninguém sabe como será o amanhã...
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De Anónimo a 08.10.2018 às 14:39

Boa Tarde, obrigado pelo seu post, mas deixe que lhe diga que a sua visão é demasiado centrada em si. Os meus pais contavam com paixão histórias que viveram (a segunda guerra mundial, o furacão, a neve em Lisboa, etc) e que eu invejei. Quando olho para as minhas filhas e netos tenho a certeza que também eles viverão experiências e aventuras que possam contar mais tarde aos seus rebentos.
A nossa passagem pela vida é breve, mas se a vivermos com emoção e verdade, teremos sempre histórias e experiências para relembrar!

Bem haja!
Eduardo
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De Anónimo a 08.10.2018 às 16:13

A pensar desta forma, também nós não tivemos "tanta sorte" quanto os nossos pais... não passamos pelo 25/04, não delirámos com os Beatles, nem sabemos a essência do "peace and love", a adrenalina da mini saia....
Cada geração tem a sua memória, as suas aventuras, as usas vergonhas, a isto chamo História...
Cumprimentos
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De Anónimo a 09.10.2018 às 08:32

Muito oportuno.
Temos que ter esperança,mas acho que vai ser muito difícil.
Num país onde alguns querem à força ter aquilo que outros não podem ter,quando os próprios deviam ser os construtores duma cultura de Equidade,Patriotismo,etc. etc.!!!!
Para mim isto é o convite à direita ninguem duvide.
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De Teresa a 18.10.2018 às 10:39

Comece por dizer que é bruxa, advinha etc ... é melhor ela saber o mais cedo possível que a mãe sabe tudo e até advinha o futuro

Depois desse esclarecimento - a rapariga vai-se passar porque sabe, o que eu sei, que a mãe tem de ter uma vida mais infeliz do que a dela porque já dizia uma série: "Conhecer o futuro é morrer duas vezes" - a mãe vai sentar-se e pensar nos seus antecessores - os que viveram em guerra ou ditadura, os que não tinham que comer (se não os seus a maioria não teve, não tinha) - o voto não era secreto, não havia apoios para quando a vida dos campos não corria bem e eram mais os anos das vacas magras do que as gordas, em que as mulheres casavam e tinham filhos à catadupa para ajudar na lida ou eram trazidas por famílias bem para Lisboa para servir aos 6 anos de idade depois do irmãos mais movo com 9 vir trabalhar para uma mercearia a carregar kilos até ao 4º andar em prédios sem elevador. Que nunca poderiam ambicionar uma bicicleta quanto mais um curso superior... tudo o foi alcançado após o que descrevo e pior que não terei conhecimento não foi sorte. Foi luta! De cada um, de tantos, todos...

Copo meio vazio enquanto criamos não é a solução. Nem sequer é vida. Meio cheio, Mãe! Vão, quando muito, ter sorte (??) diferente. E ainda bem. Têm direito às histórias, lutas e conquistas deles. Se ficassem só pelas nossas é que era uma enorme falta de sorte
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De Joao Miguel Guterres a 18.10.2018 às 11:12

Sorte tem você de ter uma filha e lhe contar seja lá o que for.
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De Anónimo a 18.10.2018 às 11:17

hahahaha
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De João Mateus a 18.10.2018 às 11:56

Como diria alguém, essa sorte deu muito trabalho...muitas pessoas deram muito (algumas até a vida) para que se pudesse assistir a todas essas transformações!
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De Manuel a 18.10.2018 às 12:42

Acredito que ela tenha histórias para contar boas e más, divertidas e tristes. O que duvido é que exista alguém para as ouvir e que dialogue com ela como ser humano e não como um humano formatado por algoritmos a gosto de quem os detém ou tem poder para os comprar.
Até lá, mantemos a velha máxima, enquanto à vida há esperança (não sei em quê).

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