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Coitada

por Cristina Nobre Soares, em 08.06.18

Do outro lado do corredor do autocarro vai sentada uma mulher obesa. Ocupa os dois lugares e leva o banco todo recostado para ter espaço para as pernas, o que fez com que o homem sentando atrás tenha tido de mudar de lugar. É só ela no espaço de quatro lugares vazios. Dormita. Por vezes ressona, parece que quase se engasga, arregala os olhos num sobressalto e volta a adormecer. Sempre que ressona a rapariga do lugar em frente, ri-se. A outra mulher que vai sentada ao lado, mais velha, repreende-a. Coitada, diz. Coitada. Repete várias vezes a palavra coitada com aquele tom de voz pesaroso que usamos quando não sabemos o que dizer. A pena salva-nos dos maus sentimentos.

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