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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Cinco e vinte

Cristina Nobre Soares, 04.02.20

A Lídia começava a arrumar a secretária às cinco e vinte. Em ponto. Punha as canetas numa lata pintada pelo filho mais novo, as pastinhas de cartolina na papeleira, o abre-cartas, que usava para cortar as folhas em pequenos rectângulos de papel que serviam para escrever recados, em cima da agenda de capa verde-escura. Com uma mão a fazer de lâmina limpava as aparas de borracha. Com outra, em concha na borda da secretária, apanhava-as. Depois, se faltasse um ou outro minuto para as cinco e trinta, fazia um bocadinho de conversa de circunstância. Qualquer coisa sobre o tempo ou uma receita nova que iria experimentar ao jantar. Um dia, a propósito da licença de casamento de uma colega da contabilidade, contou-me que a mãe tinha ido vestida de preto ao seu casamento. Para me mostrar que desaprovava que eu me casasse com um homem que não tinha nada de seu. Nem uns sapatos novos levou, disse-me. É uma mágoa que tenho.

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