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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Chão da cozinha

Cristina Nobre Soares, 09.02.20

Limpo as bancadas, passo-lhes depois um pano seco, deito duas medidas de detergente no balde da água e lavo o chão. Lembro-me de um conto de uma mulher que lavava um chão de ladrilhos pretos e brancos, não me lembro como terminava, só que ela lavava o chão sempre da mesma maneira, todos os dias depois de jantar e que, na altura, me causou alguma estranheza por a mulher fazer sempre a mesma coisa. Depois, apagava as luzes, primeiro a da cozinha, depois a do corredor, talvez a das escadas que ficara esquecida, com o pé puxara o tapete da entrada, depois o vaso da planta ao canto da porta, na sala ajeitara as almofadas com umas palmadas secas, dobrara as mantas esquecidas nos tamboretes, uma delas caída no chão, correra os estores (mas antes acenara ao vizinho que passara para cima), fechara os cortinados, apagara a luz de cima, acendera a do candeeiro de pé, tirara o livro de cima da pilha esquecida na mesinha, deitara os olhos à estante numa tentativa pouco esforçada de se lembrar onde lera o conto da mulher que lavava o chão da cozinha e passou-lhe, a medo, a ideia de que a mulher fosse eu enquanto alguém me lia.

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