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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Na rua das montras, passo por um homem que toca acordeão, uma música francesa, c’est une chanson qui nous ressemble, só me lembro deste verso, sempre fui um desastre a francês, apesar de achar que é uma língua capaz de tornar até a lista de supermercado em poesia. Levo a música no ouvido, tento lembrar-me que canção seria, até que, à saída do parque, no sitio onde há muitos anos costumava estar uma senhora que vendia caramelos e cordões de pinhões, reparo na varredora. Tem a cabeça coberta por um hijab, cuja cor quase se confunde com a das buganvílias que espreitam pelo gradeamento. Hoje, por estar enevoado parecem mais arroxeadas. A varredora pára de varrer, para me deixar passar. Ainda não há folhas no chão, só algumas flores das tílias, folhas só lá para o fim de Agosto, talvez um pouco antes, se o Verão for muito quente. Les feuilles morts. Era assim que se chamava, cantava-a o Yves Montand.
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