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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Sempre apanhei os sotaques e trejeitos de falar dos sítios por onde passo. Não sei porquê. Talvez para fingir que lhes pertenço. Mas fazem-me confusão os imitadores de vidas, que insistem em vestir as roupas de sair ao mundo dos outros. São uma espécie de coleccionadores de espontaneidades alheias. Mas, da mesma maneira, que depressa as minhas vogais abertas denunciam os meus vinte e muitos anos de lisboeta, também os gestos dos outros depressa se esgaçam nesses corpos sem imaginação. Coitados. Mal sabem eles que por esse esgaçado espreitará sempre uma vida triste e parda que usa ceroulas.
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