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Cabelo

por Cristina Nobre Soares, em 13.06.18

Deixei de esticar o cabelo. Quando era criança e saíamos para visitar alguém, a minha mãe vestia-me uma saia e a minha irmã esticava-me o cabelo com uma escova de rolo, puxando-o até eu me queixar. No fim, olhava-me ao espelho e sentia-me muito bonita, quase como a Ana Filipa, que tinha um cabelo louro, muito liso, a cair-lhe pesado e irrepreensível sobre os ombros. Depois, já adulta, continuei a esticá-lo com um daqueles ferros de alisar. Madeixa a madeixa, entre duas placas aquecidas a 180º. Várias vezes me disseram que isto queimava o cabelo todo, que o desnaturava. Terá sido um sacrifício inglório, pois bastava a humidade do ar ou que eu transpirasse, para que se revelasse o meu cabelo impostor e ondulado. Pobre cabelo, a impostora era eu. Um impostora escondida por debaixo de várias camadas mortas.

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1 comentário

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De Narciso Baeta a 14.06.2018 às 18:45

"Cada um é, a partir dos 30 anos, responsável pela cara que tem" - António Alçada Baptista

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