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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Uma vez, deram-me um serviço de chá de brincar. As chávenas eram amarelas-torradas e os pires eram vermelhos. Agora já podes tomar chá com as tuas bonecas, disseram-me. Acho que nunca o fiz. Chá com bonecas pareceu-me ser uma brincadeira muito aborrecida. Em vez disso montei uma pastelaria: voltei as chávenas ao contrário, a fazerem de bolos e os pires a fazerem de bolachas de morango. As chávenas nem eram bolos, eram “buns" como os que a padeira dá à Sarah na “Princesinha”. Eu não sabia como seria um “bun”, só que era um bolo que comiam em Inglaterra, mas, também não interessava, porque na minha pastelaria, onde dois bancos de cozinha faziam de balcão, eram amarelos-torrados. Depois embrulhava-os em folhas de revistas velhas e dizia aos meus clientes imaginários: não os aperte muito, que ainda estão quentes e depois perdem a graça, que era o que o senhor Luís dizia quando lhe comprávamos arrufadas. Gostava tanto, tanto, desta brincadeira!
(Lembrei-me disto hoje, a propósito de uma discussão acesa sobre brinquedos para meninas e brinquedos para meninos. Deixem os miúdos em paz, eles lá sabem da vida deles.)
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