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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Tenho mau perder. Não gosto de perder nem a feijões. Seja ele dominó ou bisca lambida. Não gosto, pronto. Mas passa-me depressa. Tenho esta coisa de não me demorar muito nas coisas, o que dá particularmente jeito no que diz respeito àquilo que não interessa um caracol. Como a bisca lambida. E se calhar deve ser por isso que me intriga a fúria com que as pessoas defendem pontos de vista em temas tão fracturantes como o preço a que está o bacalhau crescido. E a forma como levam a peito o facto de haver quem só coma bacalhau graúdo ou mesmo quem simplesmente não goste de bacalhau e opte pelo atum de barrica (sim, isto do bacalhau é apenas uma metáfora). E as redes sociais são uma maçada no que diz respeito a este assunto. Porque os maus perdedores ficam à janela, daquelas com estendal e tudo, a fazer comentários indignados em voz alta. Aos transeuntes restam duas hipóteses: ou ignoram ( o que é fácil porque a maior parte destes comentários são encriptados em citações famosas descontextualizadas) ou clicam displicentemente no like, que é uma forma moderna do “Muito bem. Tem toda a razão”. E realmente, esta dinâmica intriga-me. Mesmo. Assim como sempre me intrigou porque é que chamavam lambida à bisca. Mas isso sou eu, que sou pouco moderna.
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