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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Lembro-me de querer coisas, como todos os miúdos querem, aquelas coisas que achamos fundamentais para ser felizes. Felizes como toda a gente que tem essas coisas parece ser. Mas esqueci-me de que coisas eram. Outras, muito poucas, por querê-las tanto, juntei dinheiro para as comprar. Como as calças de ganga da El Charro, que acabei por ter de comprar umas de contrabando. De resto, é estranho, mas não me consigo lembrar que coisas tão importantes eram essas que eu tinha de ter. Talvez porque não fossem. Nunca são, mesmo quando as temos. As coisas têm esse problema, por mais que se esforcem nunca se tornam importantes. Caso contrário não seriam coisas. Seriam por exemplo, pessoas, conquistas, tempo. Destas sim, lembramo-nos para sempre. Pena que os pais, como eu, que decerto também não se lembram das prendas que os pais deles não lhes deram, não se lembrem mais que o ter coisas é uma coisa que se esquece depressa.
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