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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Às vezes, nas noites quentes de Verão, o meu pai vinha para a varanda fumar. Queixava-se do calor, e abria os botões da camisa. Lembro-me do eco morno na praceta, do recorte, lá ao fundo, do moinho de água, a lembrar que aquele bairro suburbano já tinha sido uma aldeia, e da luz pequenina e vermelha do cigarro dele. Queixava-se do calor e a minha mãe comentava, lembras-te como era lá? Ele dizia sim, a sorrir, que isso é que era calor a valer, e os olhos dele voltavam ao hemisfério, de onde acho que nunca partiram.
As datas têm disto: memórias avulsas para darem sentido às ausências.
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