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As coisas vulgares que há na vida

por Cristina Nobre Soares, em 29.07.18

No concerto da praça há uma mulher encostada a uma árvore. Ouve o reportório com ar enjoado, talvez impaciente, daquela impaciência que se mete para dentro sem nos mexer um músculo, enquanto vai repreendendo o miúdo impaciente que está com ela. Segura-o, apertando-lhe um ombro com a mão.O cabelo mal cuidado, de raízes grisalhas misturadas com um louro crespo, de pacote, está preso com um travessão de imitação de tartaruga, que não lhe agarra os cabelos todos. Até que a vocalista do grupo começa a cantar “Chuva” da Mariza. Desencosta-se da árvore, estica o pescoço para ver mais para frente, solta o ombro do miúdo e começa a cantar de olhos fechados. Cruza o casaco de malha, preto. Tenho um igual. “As coisas vulgares que há na vida não deixam saudades. Só as lembranças que doem ou fazem sorrir.”

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