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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Depois de jantar, na fila do supermercado, à minha frente, um homem paga duas minis e um paposeco. Usa um gorro laranja e um rosto muito cansado de pele encardida. A caixa faz-lhe o troco da nota de dez com gestos exageradamente lentos. O homem guarda-o no bolso largo, juntamente com o talão e há uma mãe que pára perto da nossa caixa, já com as compras dentro dos sacos e uma criança sentada no banco armado do carrinho de compras. A criança choraminga qualquer coisa e a mãe responde-lhe com o mesmo encardido do rosto do homem na voz. O supermercado, ao fim do dia é um sitio triste, penso. Ou talvez eu esteja também cansada, talvez por isso me pareça tudo sujo, daquele pardacento que se nos cola aos pulmões até ficarmos sem ar. O homem afasta-se, o laranja do gorro limpa-me os olhos e respiro.
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