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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Fala ao telefone, a voz treme-lhe. A cada paragem do autocarro, treme-lhe cada vez
mais, até que se desmorona a chorar, ali, sentada num dos lugares individuais, tapada pelas pessoas que vão em pé, com as palavras entrecortadas pelas lágrimas que lhe pingam no canto da boca. Está sentada a uns centímetros de mim. Desliga o telemóvel, limpa o nariz e os borrões de rímel com as costas da mão, levanta-se, com licença, eu desvio-me, toca a campainha e sai ainda a soluçar. O velho, em pé ao meu lado, olha-me e comenta antes de se sentar no lugar ainda quente, anda por aí muita desgraça.
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