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O meu irmão tem uma máxima de vida muito interessante: Diz ele, que não acredita que as pessoas façam más escolhas deliberadamente. Que isso não tem lógica, pois somos todos seres inteligentes ou até teríamos entrar mesmo num julgamento moral sobre ser-se boa ou má pessoa. Diz ele, que fazemos sempre (ou acreditamos que fazemos) a melhor escolha possível dentro das hipóteses e informação temos. E faz sentido. Principalmente no que diz respeito a filhos. Queremos sempre o melhor para eles. Por mais bizarras que sejam as opções que tomamos, achamos sempre ser o melhor. Por mais que esqueçamos que os filhos são "nossos" apenas emocionalmente, e o que fazemos os afectará irremediavelmente. Para o bem e para o  mal. Faz parte de ser pai e mãe. Mas no caso desta criança que morreu de difteria, a decisão dos pais, foi-lhe fatal. A minha questão com estes pais é a fácil queda na tentação do medo. Esta questão das vacinas foi levantada à conta duma eventual correlação que havia com o autismo. Nunca foi provada. E o autor desse estudo já veio a público desmentir-se. O medo tolda-nos o entendimento. E por vezes a vontade de querer aprender, e só aprendendo é que aumentamos o número das tais hipoteses perante a partir das quais fazemos a melhor escolha possível. Pior: aprender  não inclui apenas teorias "new age", mastigada em artigos e vídeos alarmistas. É muito mais. Implica muitas vezes o exercício de humildade para aprendermos aquelas coisas chatas, teóricas e aparentemente inúteis, que costumam ter a grande virtude de nos dar pensamento critico. O que eu não percebo, e acho que nunca perceberei, é o que é o conhecimento tem de tão assustador, para que as pessoas o temam tanto. Aliás sempre o temeram. Basta recordar o que acontecia na Idade Média. O que se passa na nossa humanidade para que tudo o que de bom que construímos, até agora, ciência, democracia, educação, progresso, seja implodido desta forma, em troca da soberba da ignorância?  Que moralidade há na opção da não vacinação  quando a cada minuto que passa há crianças que morrem por não terem acesso às mesmas, simplesmente pelas condições miseráveis em que vivem? Não compreendo. E acima de tudo, disto sim, tenho medo. Muito.

 

A respeito desta notícia.

 

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