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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

A prima Laurinda

Cristina Nobre Soares, 27.09.19

A prima Laurinda era imbatível no Crapô, fazia um “Paris- Brest” soberbo, cuja receita não dava a ninguém, com a desculpa de que a letra com que fora escrita era muito difícil de compreender, nunca transpirava, nem sequer quando passou por aquilo a que ela chamava “a transição sensível”, mas, acima de tudo, tinha o condão de antecipar qualquer conflito. Assim que pressentia alguma exaltação entre os convivas, especialmente durante aqueles anos após o 25, a que ela, mesmo anos mais tarde, se referia como “aquela terrível fase de conturbação psico-social” (a prima Laurinda tinha eufemismos para tudo), dizia com um sorriso encantador, enquanto batia ao de leve no braço do sofá de costas capitonê, ora, ora, mas então os meus caros não se vão querer indispor agora por causa disso. E piscava olho, arrematando com um malandro “Isso é apenas fumaça”. Todos riam desta graçola de salão da prima Laurinda, uma senhora a citar o Pinheiro de Azevedo e mudavam de assunto, enquanto agitavam o gelo nos copos de whisky.
Imagine-se a agora a prima Laurinda no Facebook.

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