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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Às vezes o meu irmão montava a pista de dois carrinhos, para que eu brincasse enquanto ele estudava ao estirador. De vez enquando levantava-se, tirava um disco de vinil da estante branca, limpava-o com uma peça forrada de veludo azul e cuidadosamente punha a agulha sobre a primeira faixa. Eu gostava de ter um irmão crescido. Misturava umas letras estranhas com números. Com ele aprendi que essas letras podiam ser números dos quais não se sabia o valor, que havia números infinitos para além do lado esquerdo do zero, que os números podiam reais e imaginários. Sentada nos pés da cama dele, enquanto ouvia Pink Floyd, Genesis ou Marillion, imaginei muitas vezes como eu seria quando fosse crescida. Nesse tempo eu quis muitas coisas que afinal eram poucas. Às vezes ele perguntava em que tanto eu pensava. Acho que ainda hoje se pergunta. Acho que nunca lhe contei que eram apenas sonhos de olhos abertos. Talvez por isso, sempre que um deles se torna realidade, eu volte sempre a ouvir esta música.
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