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A noite no campo

por Cristina Nobre Soares, em 30.04.18

Quando saí da cidade estranhei a ausência de luzes à noite. E lembrei-me de ter tido essa mesma sensação de estranheza da primeira vez que dormi no campo, em criança, em casa de uma tia. Não preguei olho, não por ter medo, não me lembro de o ter, mas porque o escuro nunca me tinha parecido tão escuro a ponto de ser quase um vazio. Na cidade sabíamos que era noite por se acenderem as luzes, e ali, olhando pela janela, não se distinguia nada lá fora, só o som do sino, a marcar as horas, um cão que ladrava, e o cantar do galo que chegou de madrugada. Passei a noite sentada na cama, a tentar que os olhos se habituassem à escuridão e ao silêncio, até começarem a adivinhar as coisas pelos vultos. O escuro da noite do campo ensina-nos a confiar mais no que não vemos.

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1 comentário

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De Narciso Baeta a 05.05.2018 às 18:18

“Feliz aquele que harmoniza o seu modo de proceder com a qualidade dos tempos” – Maquiavel

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