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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
A mãe do meu vizinho chega a meio da manhã. Vem a pé, traz um casaco azul, que parece um roupão (pergunto-me se não será mesmo um roupão), por cima de uma roupa de trazer. Vem fazer-lhes a lida da casa, estende-lhes a roupa, põe as toalhas de banho e os cobertores a apanhar sol, abre as janelas para arejar. Isto é o que vejo. Lá dentro, imagino que talvez lhes deixe o jantar feito, uma carne estufada, guardada dentro de um pirex com malmequeres, ao lado da panela da sopa da menina. A roupa passada e dobrada em cima da cama, os brinquedos apanhados do chão, os vincos da coberta esticados com a palma da mão. Depois sai, tranca a porta, ajeita com o pé o tapete da entrada, rega os vasos de sardinheiras com a garrafa de água que traz na mão, na outra o saco do lixo para deitar no contentor e sobe a rua, de casaco azul, que parece um roupão (desconfio que seja mesmo um roupão), por cima da roupa de trazer. Às vezes cruza-se com o carteiro. O que significa que a mãe do meu vizinho, que chega sempre à mesma hora, não tem hora certa para se ir embora. A lida da casa não é igual todos os dias e com crianças, ainda pior.
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