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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Cá fora os homens sentam-se numa fila, encostados à parede do café. Apanham o sol do fim da manhã. Não há mulheres no café, só a rapariga ao balcão, que vem desenrascar os Domingos. É normal que não haja mulheres, é hora da missa e as obrigações da igreja são coisa de fêmea. A fé dos homens da aldeia é discreta, arredia dos padres e confissões. É um credo de fim de procissão, de braços atrás das costas e cânticos só de mexer os lábios. Os homens da aldeia não rezam de mão juntas ou, caso as unam, escondem-nas por entre as pernas ou por entre a boina. A fé feita de flores, terços e lágrimas é só das mulheres. Aos homens cabe-lhes a fé de silêncios. Homem que é homem não trata de flores. Nem chora. Nem sequer por Deus.
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