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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

A escola não dá competências para a vida

Cristina Nobre Soares, 15.11.18

A escola não dá competências para a vida, só dá competências para fazer exames, leio eu por aí. 
Pois, realmente, talvez não dê. A mim não deu. Só me ensinou a lidar com bons e maus colegas, com o engraçadinho, com o parvalhão, com a convencida, com a invejosa, com o filho da mãe, com o coscuvilheiro, com o bully, com o queixinhas, com aldrabão, com o gajo impecável, com a miúda espectacular, com professores injustos, com professores brilhantes, com professores incompetentes, com professores que se estavam nas tintas, com professores ausentes, com professores sádicos (especialmente os de educação física), com perfeccionistas (estilo o meu de educação visual do 9º ano, a quem lhe roguei umas boas pragas), com contínuos maldispostos, com a frustração, com o sucesso, com a preguiça, com o tédio, com o entusiasmo, com o sono às 9 da manhã, com o chiar do giz no quadro, com a mãe da Anabela que nunca sabia da filha, com o perceber que há sempre alguém melhor do que nós, que há também quem seja pior, que há quem seja beneficiado por nascimento e quem seja prejudicado, que o mérito nem sempre conta para alguma coisa, que a vida é injusta, que às vezes também é justa, que não morres se fumares um charro, que o primeiro beijo pode ser uma coisa desastrosa, especialmente se um dos intervenientes tiver aparelho, que podes morrer aos 18, que não és eterno, ensinou a fazer amigos, a perder amigos, que há coisas que aprendes que não servem para nada, mas que nem tudo tem uma utilidade na vida. E que a vida é tramada, não há competências que nos valham. Vai-se aprendendo. Tirando isto, realmente, a escola não me deu competências para nada.

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