A cultura não é uma esmola
O país ficou a saber pela manhã que lhe tinha morrido mais um actor. Um país que não gasta dinheiro em cultura, um país que tem como “velho normal” não pagar a quem escreve, a quem filma, a quem encena, a quem representa, a quem pinta, a quem dança. Um país que fica à espera que a Câmara Municipal lhe proporcione eventos de rua gratuitos, os quais criam a ilusão de que aquele trabalho não custa nada, é feito de graça, é um passatempo, uma extravagância, acordou chocado e choroso por perder mais um dos seus.
A cultura não se dá, pois não é uma esmola. É a base de um país. Mas no nosso a cultura parece ser apenas uma triste cadeia de trabalho desvalorizado. E a culpa, infelizmente, não é de nenhum governo. É nossa.
