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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

A Anita

Cristina Nobre Soares, 31.08.17

Tirando as ilustrações, que eu achava (e ainda acho) lindíssimas, nunca tive paciência para a Anita. A Anita fazia a lida da casa, ia ao supermercado, aprendia a cozinhar, tomava conta do irmão, fazia ballet, teatro, pintava, tocava violino (ou violoncelo?), andava na equitação, esquiava, era boa aluna, andava de avião, de comboio, de carro, de bicicleta, fazia férias na praia, no campo, tinha um cão, um gato, os passarinhos e todos os animais fofinhos gostavam muito dela, o carteiro, o leiteiro, o peixeiro e o polícia sinaleiro, também. E, como se isso não bastasse, tinha festas de anos que deviam custar uma pipa de massa, a mãe dela era muito elegante, muito bem vestida e bonita, o pai dela, um pão (adjectivo adequado para os livros da Anita). A Anita era perfeita. Cansativamente perfeita. Tirando o facto de andar de cuecas à mostra e de ouvir o cão a falar. O que era capaz de ser sinal de uma cabeça apoucadita ou de esgotamento nervoso. Pudera. Não aguentou a pressão burguesa.

p.s Desconfio que a Anita seja hoje a mãe do Ruca.

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