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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Todos os verões parecem iguais

Cristina Nobre Soares, 16.07.20

Os dias quentes parecem-se sempre com os outros dias quentes passados. Hoje, de manhã cedo, quando abri a porta da cozinha que dá para o pátio, entrou o mesmo ar abafado que entrava pela porta da cozinha da minha tia, anda tens de comer antes de ires brincar com os teus primos, assim não cresces. As noites quentes têm sempre o estalar da ventoinha que viera de Moçambique e o meu pai debruçado na varanda. O silêncio da tarde traz-me a leitura na penumbra no meu quarto de paredes cor-de-rosa. As madrugadas quentes são as madrugadas em que atravessávamos a ponte até ao Algarve. O cheiro a coco do bronzeador da minha irmã ou do creme nívea na minha cara, o cheiro de todas as marés baixas, os passos surdos na areia de alguém que se aproxima, vidro aberto do carro em todos os regressos a casa, para o ano há mais.
Todos os verões parecem iguais, só as outras estações são diferentes à sua maneira.