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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Casa

Cristina Nobre Soares, 18.12.19

Não havia sinos, não havia missa, não havia chaminé, só uma lareira a fingir, que era um bar onde se guardavam as bebidas e as bases para os copos. Não havia avós nem outras crianças. Não havia ranger de tábua corrida, nem o frio da pedra nos pés, nem portadas de madeira nas janelas, nem cheiro antigo de casa, nem silêncio na rua. Não havia cheiro a pinho, nem a musgo, nem a fumeiro. Havia uma carpete de flores, em cima dessa carpete, ao canto da casa de jantar, uma cadeira de costas altas, ao lado dessa cadeira uma janela que dava para varanda, que por sua vez dava para a praceta. Nessa janela havia a ponta do meu indicador a desenhar na humidade do vidro uma memória que me ficou para além de todos os reflexos da casa.

Crueldade

Cristina Nobre Soares, 02.12.19

Às vezes, acho que a nossa humanidade se resume a uma luta permanente, desde o momento em que tomamos consciência de nós, contra o instinto da crueldade. Sendo a esta, em todas as suas manifestações, mesmo a mais ínfima, a que chamamos mesquinhez, uma estranha evolução do medo como ferramenta de sobrevivência.