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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Cheiro a pão e bolos

Cristina Nobre Soares, 02.08.17

Houve um Verão em que fomos de férias com primos. Eu, do alto dos meus catorze anos, cheios de inseguranças e certezas, era a mais velha dos mais novos. Desse Verão lembro-me das tardes na praia, esticadas ao limite, quase, quase a anoitecer, só mais um bocadinho, vá lá, dos baldes cheios de conquilhas, das filas para tudo, do ir comer camarão e caramelos a Espanha, das noites quentes a arderem no escaldão dos ombros, do cheiro a óleo de coco e a creme Nívea, da vez em que tentamos indrominar os pais e nos escondemos para ficarmos a pé até tarde, não conseguimos, das conversas parvas pela noite dentro, com a música dos arraiais em pano de fundo, e do cheiro a pão e bolos assim que abríamos a janela de manhã. A casa ficava ao lado de uma padaria. Hoje, enquanto bebia café cheirou-me a pão e bolos e deu-me ideia que um dos meus primos me arreliava, ali, por cima do ombro. O tempo tem esta mania de, a despropósito, nos parecer logo ali ao lado.

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