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Under pressure

por Cristina Nobre Soares, em 11.01.16

Hoje é um daqueles dias em que tenho a sensação de que se disser que nunca fui grande fã de David Bowie, será mais ou menos a mesma coisa que dizer que li os apontamentos Europa-América em vez de ler os Maias. Calma, eu li os Maias. E sem ser por obrigação escolar. Mas nunca fui grande fã do Bowie. Lamento. E acreditem, que desde cedo que o meu irmão me fez questão de me informar que isto era uma lacuna imperdoável nos meus gostos musicais. Mas sabem, eu nunca fui muito de ceder a pressões. Mesmo quando sei que não tenho razão.

 

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A vida na província #1

por Cristina Nobre Soares, em 09.01.16

"Mãe, não olhes agora, mas acho que está ali um senhor hipster"

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A memória das pessoas é estranha

por Cristina Nobre Soares, em 07.01.16

A memória das pessoas é estranha. Ou pelo menos são estranhos os motivos que as fazem lembrar seja lá do que for. Ou se calhar até se lembram sempre e de tudo, e só se esquecem de o manifestar. Ou talvez o problema é que não se lembram que têm memória. O que significa ter memória. E para o que serve. Entretanto, esqueci-me porque é que achei que tinha interesse escrever isto.

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Rubens, palavras caras e outras gorduras

por Cristina Nobre Soares, em 05.01.16

Um dia destes, enquanto folheava uma dessas edições da Taschen, sobre Rubens, fiquei por uns momentos a olhar para as pinturas cheias de mulheres opulentas e gordas. Lembro-me de alguém me ter dito, que naquele tempo a gordura era um sinal exterior de riqueza. Porque aquelas mulheres, cheias de refegos e de braços sapudos podiam comer o que queriam. Tinham acesso a luxos como o açúcar. As magras eram pobres. As que trabalhavam de sol a sol. Aquelas, não. Se eram gordas, era sinal que mais depressa morreriam de tédio do que de fome. Eu já fui gorda. Uma miúda gorda. Mas a minha gordura não era sinal exterior de riqueza, mas sim, sinal exterior de insegurança. Uma vez, ouvi alguém dizer que a gordura e as camadas de roupa que usamos para as cobrir, formam uma espécie de muro ente nós e o mundo. Todos criamos muros desses. Com diferentes tipos de gorduras. Uma delas é a que pomos na forma como comunicamos, como usamos as palavras. Principalmente se as escrevemos. Porque convenhamos, não é de bom-tom escrevermos como falamos, dirão vocês. É sinal de rudeza, até de uma certa falta de instrução. Para escrever seja lá o que for, há que puxar pelos nossos galões verbais, mostrar que sabemos da coisa. Que conseguimos morrer de tédio enquanto nos empanturramos com adjectivos e palavras decassilábicas, que não servem para mais nada senão para nos engordarem e nos entupirem os diálogos de colesterol. Ou então para fazerem de muro. Que nos resguarda a posição social. Ou nos protege contras outros medos avulsos. Como aquele de não percebemos bem o que nos dizem. O medo de parecermos intrusos, aldeões famélicos e escanzelados. Ou em linguagem que toda a gente percebe: Medo de passarmos por burros. Pena que não tenhamos igual medo daquelas palavras e expressões balofas, que transpiram tremendamente sempre que são escritas e que deixam qualquer leitor à beira da trombose. A mim causam-me pavor. Mas isso deve ser por já ter sido gorda.

 
 
 

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The ghost-something

por Cristina Nobre Soares, em 02.01.16

 

Uma das coisas que vem agarrada a isto de escrever, é a noção de que a maior parte do tempo somos criaturas de bastidores. Quando escrevemos um texto que é representado, quando melhoramos o texto de alguém, quando escrevemos uma opinião que só tem impacto, porque também é a dos outros, ainda que ninguém tenha aberto a boca. Escrever é um acto solitário, uma espécie de existência translúcida. E sim, sub-valorizado e mal pago, mas essa é outra conversa. Mas, nos últimos anos descobri outras criaturas, que não escrevem, mas que se dedicam a outra área quase tão translúcida como a escrita: o design. Já vi produtos, triviais, iguais a tantos outros, muitos até sem pilhéria nenhuma, a serem transformados em coisas com voz própria, obviamente espectaculares, e que ganham urgência em serem comprados. O designer é outra existência translúcida. O que não deixa de ser irónico, numa sociedade que consome imagem compulsivamente. Mas também somos uma sociedade que raramente se dá ao trabalho de olhar para além do óbvio. Onde moram também todos estes profissionais fantasmas que vos tornam o mundo tão mais apetecível e tão mais fácil. Sem os quais , o mundo seria apenas um cemitério de ideias. E aborrecido de morte.

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