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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

18 anos

Cristina Nobre Soares, 11.09.19

No dia 11 de Setembro vim para casa à hora de almoço. Estava com uma gripe terrível, cheia de febre. Na altura fazia um estágio no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e, ao fim da manhã, a Julieta disse-me, vai mas é para casa que estás boa é para te enfiares dentro da cama. Aparentemente isto não interessa nada para a história, só para mim, temos este hábito de dar detalhes supérfluos que só fazem sentido para nós e que nos põem no centro de tudo. Cheguei a casa, deitei-me no sofá da sala, tapei-me com uma manta, tomei um comprimido e liguei a televisão. Passava a notícia (tenho a certeza que era na SIC) de que um avião fora de encontro a uma das torres do World Trade Center. Um acidente. Minutos depois, qualquer coisa explodia noutra torra. Que coisa, pensei eu, queres ver que o helicóptero dos bombeiros se rebentou na outra torre? Que tótós... Mas os jornalistas começaram a disparar comentários à toa. Alguma coisa se passava. Minutos depois o mundo, o nosso mundinho mudava. Era um ataque. A minha mãe ligou-me, acho que liguei à Rita, o Hugo estava no campo. Havia medo nas conversas. Especulámos muito. É normal que o façamos quando pressentimos que as coisas não vão voltar a ser as mesmas. E não voltaram a ser as mesmas. Mesmo quando essas coisas que mudaram se tornaram normais, tão normais que já nem ligamos. Quando explodir uma bomba não sei onde e morrerem não sei quantas pessoas se tornou banal ( O tempo banaliza tudo? Ou é a memória que o faz?) A dada altura desliguei a televisão. A febre não baixava, puxei a manta e acho que dormi umas horas. Ou 18 anos. Não sei.

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