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Vulnerabilidade

por Cristina Nobre Soares, em 09.11.17

À mesa falamos das dores de se ser pai e mãe. Que é difícil vê-los crescer, sair de casa. Vê-los tomar corpo, independência, rebelarem-se. Cada um dos pais que está à mesa possui o segredo, o Santo Graal da educação. Sabe sempre mais do que os outros pais, que são cegos, ignorantes, tristes criaturas sem estrada de Damasco. Os filhos deles é que estão bem encaminhados, educados, criados. Enfim, não é isso que me chama a atenção. O que me chama à atenção é a forma como dizem “o meu filho”, acentuando a posse do “meu”. Eu também o faço. A minha filha, digo tantas vezes. Minha. Minha. Mas não é. Eu é que sou dela. Desde o momento em que ela nasceu. Pertenço-lhe. Em cada vitória, em cada dor, em cada insignificância que um dia se lhe tornará em tanto. Nós é que pertencemos aos filhos. Somos deles para sempre. Eles não e nós sabemos disso. Ser pai e mãe é aprender a viver nessa inconfessa vulnerabilidade. Sem estrada para Damasco que nos safe.

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