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Sobre o malefício das Barbies

por Cristina Nobre Soares, em 03.04.16


Foi a minha tia Rosa quem me deu a minha primeira Barbie. Trouxe-a do Luxemburgo (sim, ironia, eu tenho uma tia Rosa do Luxemburgo.) Foi das minhas melhores prendas de Natal. Muito mais bonita que qualquer uma das minhas Tuchas, que sofriam evidentemente de hidrocefalia. Fartei-me de brincar com a minha Barbie na casa da Patrícia. Que revirava os olhos aos meus guiões para brincadeira, que eram sempre uma espécie de primórdio do Tomb Raider. As pernas desproporcionadamente longas, o cabelo louro, os pés sem dedos, e a overdose de cor de rosa não me causaram grande mossa. Porque eu não brincava só com Barbies. Também brincava na rua,aos policias e ladrões e ao elástico, e passava horas a ler no chão do meu quarto. Ou talvez porque os adultos que foram passando pela minha vida (pais, irmãos, professores) me tivessem mostrado uma coisa chamada diversidade. Talvez. E por isso é que não percebo esta intifada contra a pobre da Barbie. Decerto que as mães que tanto se indignam, não se maquilham antes de sair de casa, não passam a vidas atormentadas com dieta da sopa e as aulas de Pilates, e muito menos fazem unhas de gel. Talvez os pais, que não querem que as suas meninas não cresçam em estereótipos cor-de-rosa, quando elas nasceram, tenham tirado licença em vez das mães. Talvez até se tenham revoltado contra o facto das suas colegas de trabalho ganharem menos do que eles. E discutam isso à mesa. Uma mesa longe da televisão onde nunca foi visto um episódio da estereotipada Violetta ou de um dos milhares de novelas da TVI. Deve ser isso.

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4 comentários

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De us4all a 05.04.2016 às 08:51

Ai tao bem dito!!!
Us4all.blogs.sapo.pt
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De Simão a 05.04.2016 às 11:58

Concordo com o cor-de-rosa. A palermice da igualdade entre meninas e meninos chegou ao ponto de a máquedonálds ter, agora, brinquedos iguais para meninas e meninos. (ou vi dizer e acreditei)

Porra*, há alguma problema em se considerar que uma menina é uma menina e um menino é um menino?! Corremos o risco de, num futuro qualquer, implantarem uma pilinha às meninas à cause des mouches, ou o contrário... Realmente...

A ver: não me venham com a conversa da igualdade entre os géneros, isso trata-se, para mim, de outro plano da vida das pessoas, não tem nada a ver com brincar com uma boneca ou com uma bola quando se é criança.

Bom dia e assim....

*Perdão
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De Sr. Solitário a 05.04.2016 às 18:35

Nós é que sabemos o quão era divertido brincar na rua e deixar a nossa imaginação fluir naturalmente!
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De Natacha a 08.04.2016 às 10:38

Amen!

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