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Sedução, assédio e poder

por Cristina Nobre Soares, em 11.01.18

Quem diz que nunca seduziu ou tentou seduzir mente. Ou isso ou tem uma vida muito triste. A sedução faz parte desta coisa de se estar vivo (sim, também é o contrário de estar morto. Quem nunca seduziu, digamos, está de certa forma falecido.) Ser alvo de sedução também faz parte do processo e da vida. E quando consentido, não me lixem, sabe bem e muito bem. Sim, ao ego e a outras coisas. É um jogo de regras conhecidas e claras. Sim, claras. E com claras obviamente não quero dizer explícitas. Ninguém tenta seduzir com: A senhora/menina importa-se que eu a tente seduzir? Ou, a senhora/menina, permite que eu lhe ponha a mão na perna, assim 3 ou 4 cm acima do joelho e lhe faça umas festinhas enquanto lhe mando dois ou três piropos marotos? A bem da inteligência da humanidade espero, sinceramente, que isto não aconteça. A tal clareza das regras do jogo reside no perceber se o outro lado está para aí virado ou não. Se corresponde, se alinha. Quem não consegue perceber isto é melhor ficar quieto. E já agora, calado. Ah, mas não corro risco da outra parte não perceber? Não é melhor entrar logo à bruta para que se perceba o que quero? Tipo apalpar como se não houvesse amanhã, e a pés juntos? Não, isso é mesmo má ideia. Até porque não me recordo de nenhuma paixão tórrida começada no 27 ou no 38, fruto do tal apalpão no calor do trânsito. Sim, há quem goste de sedução à bruta e violenta. Mas isso também se descobre depressa (normalmente numa fase posterior). Não, Catherine, não tem de ser um jogo violento, nem isto é sempre um filme do Buñuel. E é esta clareza que torna a sedução num jogo de igual para igual. Mesmo quando essa sedução é usada como moeda de troca. Sim, troca. Uma cena mais velha que a Sé de Braga usada tanto por homens como por mulheres para vários fins e propósitos. Então, perguntarão os mais distraídos, e quando é que isto é assédio? Ora, caros distraídos, quando acontecem 1 destas 2 coisas (ou as 2 ao mesmo tempo). Quando o alvo da sedução diz que não e a malta insiste. E insiste. Ou quando essa sedução é feita tendo por base um desnível de poder. Estilo, quando é o patrão, o chefe, a pessoa com poder de decisão sobre algum factor da nossa vida. Ah, mas a gaja pode sempre dar-lhe um banano e bater com a porta. Pois pode (e deve). Mas não limpa o assédio. Nem o abuso de poder. E caras pessoas distraídas, é sobre isto que fala o #metoo. Sobre abuso de poder. Abuso de poder. Simples, certo? Certo.

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1 comentário

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De Anónimo a 11.01.2018 às 10:56

Ou então, "a senhora dá-me licença que a penetre?"

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