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Renda a metro

por Cristina Nobre Soares, em 30.07.17

Ao fundo da rua, à soleira da porta, mesmo antes de chegar ao largo da igreja, está uma velha. Bom dia, diz-nos. Bom dia, respondemos-lhe. Não dizemos mais nada e ela fica ali, à soleira da porta, a ver-nos subir a rua. Ao lado dela há uma janela com cortinados de renda. Não daqueles bordados à mão, que vieram na arca do enxoval. São daqueles feitos com renda a metro que se compra nos armazéns dos tecidos e que está ao lado daqueles tecidos estampados com fruta e colheres de pau para fazer cortinas para a cozinha. Que depois se penduram com um esticador. Afinal, para a cozinha não é preciso grande cerimónia. Já para a sala não, têm de ser pendurados com uma coisa mais composta a tapar o vão. Como uma sanefa forrada de brocado, a condizer com as almofadas do sofá. Que o da velha da soleira da porta deve estar tapado com uma manta de rosetas tricotadas. Uma de cada cor, em fundo de lã preta. A Dona Maximina, a modista da minha mãe, tinha uma dessas. Eu entretinha-me a contar os quadrados e as rosetas enquanto faziam a prova. Mas a Dona Maximina não era velha, só parecia. Olho para trás. A velha que nos disse bom dia ainda lá está.

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