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Quando somos mais novos somos mais bonitos?

por Cristina Nobre Soares, em 14.06.17

Havia uma farmácia na rua 25 de Abril, como quem ia para o Bairro Novo, entre o quartel e o Muzangala. Raramente ia a essa farmácia, só quando era a farmácia de serviço ou calhando em caminho para os correios. A dada altura fizeram uma grande remodelação na farmácia, uns grandes armários com gavetas deslizantes, vitrinas cheias de cosméticos, muito bem decoradas e os funcionários passaram todos a andar com um cartão na lapela, que tinha o nome, a fotografia e a função que ocupavam. Uma das funcionárias deveria na altura andar pelos seus quarenta e muitos, quase cinquenta. Era uma mulher bonita. Mas a fotografia que trazia na lapela parecia ser de outra pessoa. Devia ter menos uns vinte anos na foto.Sorria com o cabelo muito armado, os olhos pintados de azul metálico, por detrás de uns óculos estilo Paco Bandeira e um blush que se deveria ver a quilómetros de distância e tornava o rosto bolachudo e rubicundo. A foto ainda deixava ver um bocadinho de pescoço totalmente coberto por uma gola de folhos e laçada. Perguntei-me várias vezes porque raio teria ela escolhido aquela fotografia. Porque não punha antes uma fotografia actual? Sem sombra de dúvida que era muito mais bonita agora. Seria por não ter outra? Ou por ter aquela ideia feita de que quando somos mais novos somos sempre mais bonitos? Seremos mesmo? Imaginei várias vezes que lhe dizia que a achava muito mais bonita como ela era agora. Ela sorriria e recomendar-me-ia um creme milagroso e barato que me tirasse as sardas. Nenhuma das coisas aconteceu. Felizmente. Hoje gosto muito das minhas sardas. E também gosto muito mais das minhas fotografias de agora. Jamais usaria uma fotografia minha de há vinte anos na lapela. Credo.

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7 comentários

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De PP a 16.06.2017 às 22:43

Depende.
Eu, nos 40, estou praticamente igual aos 18/20. Pouco mudei desde o preparatório, o que me torna conhecido pela maioria das pessoas da cidade, professores e antigos colegas que já nem sei quem são, dadas as mudanças.
Na generalidade, penso que, com o decorrer dos tempos, as pessoas têm ficado mais bonitas, fruto dos cuidados.

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