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Os podres dos outros

por Cristina Nobre Soares, em 11.07.16

O meu vizinho do rés-do-chão devia medir quase dois metros e andava sempre em camisola interior. Tinha uma voz cavernosa, que se ouvia cá em cima quando os miúdos do terceiro andar galgavam as escadas a descer. São umas bestas, gritava ele. Não eram. Eram apenas miúdos a galgar as escadas. O meu vizinho do rés-do-chão dizia mal da vizinhança toda, e a mulher dele, que não devia medir metro e meio, dizia ainda pior. Espiavam os vizinhos pelo olho mágico da porta, a ver se lhes viam os podres. Isto é tudo uma pouca vergonha, diziam eles. Não era. Eram apenas vidas e pessoas como as outras. O meu vizinho do rés-do-chão tinha um filho. Usava um blusão de imitação de cabedal, bigode fininho e o cabelo puxado para trás com brilhantina. É uma jóia de rapaz, dizia o meu vizinho, que para falar do filho limava a voz cavernosa. Não era. Passava droga nas traseiras da minha escola.

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1 comentário

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De claudia de sousa dias a 12.07.2016 às 18:45

Um bom título para o post:

"Da falta de espelhos em casa".

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