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Os ciprestes

por Cristina Nobre Soares, em 13.03.17

Lá em baixo, no pátio, os ciprestes agitam-se com o vento de uma forma ortopédica. Os ciprestes são árvores infelizes. Durante muito tempo condenadas a ensombrarem os cemitérios, hoje são obrigadas a serem figurantes mediterrânicos nestas Ágoras modernas, sem gente, nem movimento. São, por isso, árvores habituadas ao vazio e ao silêncio. Árvores feitas para que não reparem nelas, pois até a própria sombra não é mais do que uma faixa magra e inútil no chão. São criaturas que aprendem a ser invisíveis. É o que se espera delas: que se deixem ficar sem se fazerem notadas. E eu penso no tanto que poderíamos aprender sobre as pessoas se olhássemos mais para as árvores. 

 

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3 comentários

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De Pedro a 14.03.2017 às 09:27

Cristina, bom dia,
há exceções, mesmo assim. Repare-se no centenário, e circular, cipestre do Príncipe Real :)
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De Cristina Nobre Soares a 14.03.2017 às 09:29

É verdade. Mas será que não foram séculos de invisibilidade que o mantiveram ali? ;)
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De GL a 19.03.2017 às 11:18

Não infelizes, mas cúmplices. Cúmplices em solidões. Cúmplices em verticalidades também elas solitárias, porque raras.

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