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O meu tio emprestado

por Cristina Nobre Soares, em 02.06.16

Insistia em chamar-me pelos meus dois nomes, mas eu não me importava. O meu tio emprestado podia, eu deixava. Ele e o meu pai, por vezes, ficavam horas a recordar, a discutir. O meu pai, sempre mais emotivo, gesticulava, ficava vermelho. Ele, o meu tio, ficava a fazer girar as pedras de gelo do whisky com o dedo, enquanto o ouvia. Depois, dizia sempre qualquer coisa, que devia ser certa, porque fazia o meu pai sorrir. É verdade, Zé, dizia o meu pai. Acho que lhes ouvi as mesmas histórias vezes sem conta, mas fingia sempre que não as conhecia. Quando ouvimos uma história pela primeira vez pertencemos-lhe  mais. Quando a lembramos pertencemos-lhe para sempre.

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