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Não tenho terra

por Cristina Nobre Soares, em 14.12.14

Sempre invejei as pessoas que afirmam pertencer a um determinado sitio. Aonde regressam sempre, sem questionar. Um regresso que começa sempre no momento em que partem.  Que dizem: sou daqui, eu sou um deles. Invejo-os oorque não tenho terra. Nasci num mundo que perdeu a geografia. O resto ficou nas memórias e álbuns de fotografias dos outros. Cresci numa cidade, onde tantos chegam e à qual poucos pertencem. Não ter terra é para mim algo tão adquirido como as minhas sardas ou a minha baixa estatura. Mas talvez por isso a natureza me tenha dotado de um mimetismo, de uma transparência que me permite adaptar aos sítios antes que os outros deem por mim. Empresto-me. Apenas o tempo suficiente para que os espaços, estes feitos de uma imensidão de detalhes me fiquem escritos por detrás dos olhos. Para que eu depois os possa perpetuar no único chão que alguma vez considerei meu. Este. Que começa sempre com uma página em branco.

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