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Maria Laura

por Cristina Nobre Soares, em 25.09.17

Maria Laura servia primeiro os homens, escolhia-lhes os bifes mais tenros, as batatas mais coradas, a melhor fruta. Perdoava-lhes os atrasos à mesa. São homens, dizia na sua voz melosa. Sempre que os homens falavam punha o ar mais atento, mesmo que não percebesse nada do que diziam, mesmo que não concordasse, são homens, ela não tinha de compreender nada, só de sorrir. Se acaso eles se exaltassem pousava-lhes ao de leve a mão no braço e olhava-os com os seus olhos de cordeiro. Um eterna serva, sempre à disposição, para o que fosse preciso, sem ouvidos para os insultos, para os desprezos, as humilhações, e sorria-lhes a eles, a eles que eram homens. 
Mas as mulheres, essas Maria Laura tratava-as mal e raramente lhes sorria. Tratava-as com rispidez, com autoritarismo, a menina comporte-se, tenha modos, tento, decência. Maria Laura sabia-se temida pelas outras mulheres, mas tinha de ser assim, porque as mulheres são criaturas que precisam de ser domesticadas, educadas, ensinadas, castradas. E o medo é quem ensina melhor. Maria Laura era uma capataz, uma feitora de uma ordem certa das coisas. Morreu amada por todos. Até pelas outras mulheres

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