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Jeito de mãos

por Cristina Nobre Soares, em 23.03.15

Vais mesmo levar a planta? Pergunta-me. Eu digo que sim. Mas sei porque é que ele me pergunta isso. Morrem-me as plantas todas, às minhas mãos. Depressa perdem o viço, murcham, definham. Porque  me esqueço de regá-las, ou as afogo em água e quanto à luz que precisam, é um mistério. Dizem-me que não tenho mãos para plantas. Como não tenho para qualquer tipo de lavor. Lembro-me da minha mãe tentar que eu aprendesse a tricotar. As malhas saiam-me todas diferentes, criaturas insubordinadas com vida própria. E o tempo de uma carreira de malha era de um tédio interminável. A minha mãe suspirava, ai rapariga que não tens  mesmo mãos para isso. Deve ser isso que acontece com as plantas. Não tenho mãos. Dizem que é uma coisa que nasce com as pessoas. E como invejo essas pessoas capazes criar verdadeiros jardins botânicos em vinte metros quadrados de sala. Gostava tanto. Volto a pôr a planta no expositor e suspiro.  Raios, às vezes penso que me bastaria ter apenas olhos. O resto do meu corpo tem dias que me parece supérfluo.

 

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1 comentário

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De numadeletra a 26.03.2015 às 12:12

Em contrapartida tem mão para a escrita.
Não se pode ter tudo...

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