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Fugas

por Cristina Nobre Soares, em 02.11.17

É engraçado esta coisa das revistas chamarem “fugas” às viagens. Ou “escapadinhas”. As pessoas que viajam também usam estes termos, o que as tornará, digo eu, em potenciais fugitivos. Fugirão, escaparão do quê? Talvez da rotina. A rotina, realmente, é bastante controladora, prende-nos os movimentos, exige-nos muitas justificações, um comportamento exemplar, o jantar sempre à mesma hora na mesa e cobra-nos quando nos desviamos, aponta-nos o dedo sem piedade. E nós, sufocados, fugimos. Passamos uns dias longe, livres, fazemos planos, tomamos decisões firmes, a nossa vida vai ser muito diferente dali para a frente. Quando voltamos engrossamos a voz com rotina e ela, arrependida por nos causar tanto sofrimento, promete-nos que se irá emendar, que não volta a acontecer, que dali para frente vai ser diferente. E durante uns tempos até parece que sim, mas depois volta tudo ao mesmo e começamos a planear a próxima fuga. Alguém nos devia avisar que vivemos uma relação abusiva com a rotina.

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