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É estranho reencontrar um amigo que não vemos há muito tempo. Primeiro, há aquela alegria: Há tanto tempo! Os abraços, o sorriso rasgado. Há tanto tempo! O que é feito de ti? Olha, casei-me, divorciei-me, estou solteiro (por alguma razão as pessoas acham o estado civil uma prioridade a ser relatada). Tenho não-sei-quantos-filhos e desfiam-se os nomes e as idades da prole, onde vivemos, o que fazemos, o resumo possível no tempo que demora a cruzar uma esquina. Depois deste interlúdio, lembramo-nos. Do Zé, da Ana, do Nuno. O que é feito deles? Não sei, nunca mais os vi. O Nuno, uma vez encontrei no IKEA, tem um miúdo da idade da minha. Eish, o Nuno, lembras-te daquela vez…? E lembramo-nos mais um bocadinho. Às vezes muito. E rimo-nos de coisas que mais ninguém percebe. Até que se gastam as memórias e ninguém tem mais nada para se lembrar. Nesse momento percebemos que afinal já não nos reconhecemos. Que fomos amigos, não somos. E é tramado. O que é que se diz a alguém que há muito tempo foi nosso amigo e que agora é um estranho? Nada. Talvez possamos trocar algumas trivialidades para nos salvar do desconforto, enquanto reparamos que o outro está muito diferente, mais velho, mais gordo, mais magro, careca. Até que atalhamos com aquela de um dia destes temos de pôr a conversa em dia, vamos beber um café, um copo. Pois temos. A ver se combinamos um dia destes. Mentira. Não vamos combinar nada. Gostei de te ver! E seguimos cada um o seu caminho, com o tempo a doer-nos um bocadinho numa certeza qualquer.

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4 comentários

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De Cristina a 03.01.2018 às 09:49

Tal e qual!
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De Rooibos a 03.01.2018 às 10:01

De facto, há pessoas que em determinada altura são muito importantes na nossa vida, mas depois a vida afasta-nos e passamos a ser apenas meros conhecidos.
Às vezes também penso que deveria fazer um esforço para reencontrar esta ou aquela pessoa. Salvo raras excepções, dou por mim a pensar que se calhar não quero assim tanto reencontrar-me com elas.
Mas não deixo de sentir a consciência pesada por deixar morrer uma amizade a ponto de nos tornarmos desconhecidos.
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De Trendy Lisbon a 05.01.2018 às 13:18

Belissimamente descrito, é tal e qual isso :)
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De David Marinho a 06.01.2018 às 08:37

Há tempo para tudo. Abrir portas completamente seladas é uma chatice.

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