Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Duzentas palavras

por Cristina Nobre Soares, em 08.09.15
Mas não consegues contar uma história menos de duzentas palavras, afirmava-me alguém. E eu a dizer-lhe que sim, que era possível. E do outro lado da mesa a dizerem-me que isso assim não era uma história, mas sim uma redacção. Talvez.
E lembrei-me de uma velhota da aldeia do meu pai, que todos os dias ia ao posto do correio, que ficava na mercearia, ver se tinha cartas dos filhos. O Armindo, o dono da mercearia, dizia-lhe que não, talvez na próxima quinta-feira, mesmo sabendo que ela nunca casara, nem tivera filhos, e vivia paredes meias com a perda de juízo e de memória. Até que, dois dias antes de morrer com uma pneumonia, chegou-lhe uma encomenda com trezentos gramas de bolos finos, um bilhete a chamar-lhe mãezinha, e duas nódoas de gordura de chouriço no canto, que o Armindo esquecia-se sempre de limpar as mãos antes de escrever.
E não, não me lembrei de nada disto, até porque o meu pai nasceu em Lisboa. Inventei agora e ainda me faltam umas quantas para as duzentas.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

GA



google-site-verification: googledeb34756365df053.html