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Às vezes, já não me lembro que rua descíamos

por Cristina Nobre Soares, em 09.11.17

Às vezes, já não me lembro que rua descíamos, que nas memórias, por alguma razão, descemos sempre as ruas, quem as sobe é a vida. Lembro-me das folhas dos lodãos-bastardos a deslizarem-nos por entre as solas dos sapatos e as pedras das calçadas, do Miradouro de Santo Amaro, da cor viva das olaias em flor, o 18 a passar ao portão, do mundo ser todo nosso, de correr para o autocarro, da chuva de pingos fartos de Novembro, nós, no Calvário, ensopados até aos ossos, do cheiro das tílias da Infante Santo, dos jacarandás, quando ainda ninguém os fotografava . Às vezes, já não me lembro que rua descíamos, mas sei que o Tejo ficava sempre ao fundo e que as tardes morriam sempre nele e ainda morrem, mesmo estas, minhas, que agora moram longe e que tantas vezes não têm terra, é nele que vão morrer.

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